O repórter policial Marco de Castro estava no carro do jornal, a caminho de alguma pauta (chacina, estouro de cativeiro, apreensão de drogas, algo assim) quando o motorista comentou sobre um primo que se tornara policial da Rota (aquela mesma tropa que hoje a Veja retrata como um grupo de heróis).
— A primeira vez que esse meu primo policial matou alguém, foi um menino. Quando ia dormir, ele via o menino em cima do guarda-roupa, olhando para ele — contou o motora. — Mas isso foi no começo. Hoje ele já matou tanta gente que não liga mais para nada.
Marco ficou com aquilo na cabeça e, um tempo depois, usou a lembrança como mote para o conto de horror Um bom policial, publicado originalmente em seu blog e, anos depois, na revista Vice (veja os detalhes dessa história aqui). Adaptado para o cinema pelo insano Dennison Ramalho, o conto virou Ninjas, um curta que para mim é um dos melhores filmes do cinema nacional em muito tempo.
Ninjas, o curta, não se parece com nada que o cinema brasileiro tenha cometido nos últimos 20 anos. A história de violência policial que serve como ponto de partida pode até lembrar favela movies como Cidade de Deus ou Tropa de Elite, mas Dennison mete ali uma pegada de horror extremo, acrescentando pitadas de histórias de fantasmas do cinema oriental e cenas de tortura tão aterradoras que só encontram paralelo nas imagens mais pervertidas de Gaspar Noé ou Takashi Miike.
Ao mesmo tempo, Ninjas também não parece com um filme de terror, porque não é sempre que o gênero costuma rastejar tão baixo na realidade mais suja do dia-a-dia. Há as cenas sobrenaturais, como as aparições de fantasmas e as imagens surreais de um Cristo nu e apodrecido (intepretado por André Ceccato, e houve quem dissesse que fato de mostrar Ceccato pelado já bastaria para transformar qualquer obra num filme de terror), mas a sequência mais difícil de assistir — a tortura do "salto alto", que tem feito muita gente fechar os olhos na sala de cinema — é executada por um grupo de policiais integrantes de um grupo de extermínio, que se mostram piores do que qualquer morto-vivo ou lobisomem que já tenha dado as caras num rolo de 35 mm.
O filme está em cartaz na sessão Dark Side do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. Já passou em cinco sessões e dá para ver em mais duas. De graça. Vai lá, porra.
26 de agosto de 2010
"Ninjas": o horror que vem do real
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Fausto Salvadori
Rabiscado às
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18 de agosto de 2010
Boteco, humor e morte
O dono deste boteco participa de dois lançamentos de livros nesta semana. Calma: ainda não foi dessa vez que perdi meu cabaço no mundo literário. Digamos que já estou passando a mão por dentro da calcinha, talvez até botando nas coxas.
Ninguém vai comprar os livros por minha causa, é claro. Minha participação nos dois lançamentos é como coadjuvante, ou mesmo figurante, mas vale a pena ir atrás dos livros porque há muita gente boa entre os protagonistas.
Hoje, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 18h30, rola o lançamento da coletânea de humor @Na_Kombi. É a versão em pocket book do Twitter coletivo @Na_Kombi, uma criação de Ulisses Mattos e Silvio Lach — obradores da M Corporation (uma revista de merda, mas não uma merda de revista) — que uma vez por semana realiza um passeio com a nata do humorismo twitteiro, ou, em outras palavras, chama um monte de desocupados para falar bobagem em 140 caracteres sobre tudo quanto é assunto. Deve ter algumas das minhas twitadas lá (ainda com o endereço antigo, @faustosalvadori, que depois virou @botecosujo), ao lado de caras realmente engraçados como Ronald Rios, Deeercy, Microcontoscos, Harpias e MussumAlive.
No mesmo evento, rolam também os lançamentos do obrigatório Mundinho Animal, de Arnaldo Branco, e de O Relatório Ota do Sexo, de Ota, e Vó, de Jean Galvão. Vai lá.
O outro lançamento ocorreu durante a Bienal do Livro e não podia ser mais diferente: chama-se Jornalismo Policial - Histórias de Quem Faz e é uma coletânea de entrevistas com jornalistas que vivem desse ofício, tão estranho quanto necessário, de reportar a desgraça do mundo. Curiosamente, as entrevistas foram feitas por alunos da Uniban, uma universidade que eu ajudei a deixar famosa no ano passado.
Como dei uma força para a organizadora do livro, a professora (e truta) Patricia Paixão, ela resolveu me colocar entre os entrevistados do livro, ao lado de gente como Josmar Jozino, Fernando Molica, Bruno Paes Manso, Fátima Souza, Percival de Souza, Gil Gomes, o parceiro-de-fé-irmão-camarada Gio Mendes e um dos melhores jornalistas com quem já trabalhei, o André Caramante. Nessa seleção, eu entrei de Grafite.
Ninguém vai comprar os livros por minha causa, é claro. Minha participação nos dois lançamentos é como coadjuvante, ou mesmo figurante, mas vale a pena ir atrás dos livros porque há muita gente boa entre os protagonistas.
Hoje, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 18h30, rola o lançamento da coletânea de humor @Na_Kombi. É a versão em pocket book do Twitter coletivo @Na_Kombi, uma criação de Ulisses Mattos e Silvio Lach — obradores da M Corporation (uma revista de merda, mas não uma merda de revista) — que uma vez por semana realiza um passeio com a nata do humorismo twitteiro, ou, em outras palavras, chama um monte de desocupados para falar bobagem em 140 caracteres sobre tudo quanto é assunto. Deve ter algumas das minhas twitadas lá (ainda com o endereço antigo, @faustosalvadori, que depois virou @botecosujo), ao lado de caras realmente engraçados como Ronald Rios, Deeercy, Microcontoscos, Harpias e MussumAlive.
No mesmo evento, rolam também os lançamentos do obrigatório Mundinho Animal, de Arnaldo Branco, e de O Relatório Ota do Sexo, de Ota, e Vó, de Jean Galvão. Vai lá.
O outro lançamento ocorreu durante a Bienal do Livro e não podia ser mais diferente: chama-se Jornalismo Policial - Histórias de Quem Faz e é uma coletânea de entrevistas com jornalistas que vivem desse ofício, tão estranho quanto necessário, de reportar a desgraça do mundo. Curiosamente, as entrevistas foram feitas por alunos da Uniban, uma universidade que eu ajudei a deixar famosa no ano passado.
Como dei uma força para a organizadora do livro, a professora (e truta) Patricia Paixão, ela resolveu me colocar entre os entrevistados do livro, ao lado de gente como Josmar Jozino, Fernando Molica, Bruno Paes Manso, Fátima Souza, Percival de Souza, Gil Gomes, o parceiro-de-fé-irmão-camarada Gio Mendes e um dos melhores jornalistas com quem já trabalhei, o André Caramante. Nessa seleção, eu entrei de Grafite.
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Fausto Salvadori
Rabiscado às
12:58
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28 de julho de 2010
O nome dele é @Monica_Mattos
Monica Mattos e @Monica_Mattos (Luciano Mattos)
Vários homens já estiveram por trás de Monica Mattos, mas não como ele. Durante um ano, o redator publicitário Luciano Mattos, 31 anos, de Recife, assumiu a personalidade da atriz pornô mais famosa do Brasil com o avatar @Monica_Mattos, que conquistou mais de 20 mil seguidores.
A nova personalidade de Luciano provocou ciumeira na esposa, a publicitária Teta Barbosa. "No começo, ser esposa de Monica Mattos gerou ciúmes, tipo: 'Agora meu marido vive em site pornô' e tal, mas depois passei a ser fã.", conta Teta. "Entendi que era uma grande brincadeira e virou um hobby pra ele (que é criativo e nem sempre tem como usar suas ideias malucas com os clientes caretas de publicidade)."
Muita gente levou @Monica_Mattos a sério, mesmo depois que o perfil foi indicado para o prêmio de melhor fake do Twitter da revista M... Esse povo deve ter ficado realmente decepcionada quando leu a entrevista na Vice em que a Monica Mattos do mundo real comentava sobre o Twitter falso. Mas a verdade é que, fake ou não, sempre valeu a pena seguir @Monica_Mattos por causa de tiradas do tipo Trabalhando horrores. - Garçom, um leque e uma guarnição extra de Hipoglós por favor.ou Basta ser médico forense e necrófilo (resposta a um fã que perguntou "como eu faço p ganhar seu coração e ser seu namorado?????").
Na entrevista abaixo, Luciano Mattos sai do armário e diz que a brincadeira perdeu a graça depois da revelação. Eu espero, contudo, que ele não deixe @Monica_Mattos de lado. Afinal, muita gente curte seguir @OCriador, mesmo sabendo que não é twittado pelo Altíssimo do Seu Trono Celeste.
Boteco Sujo - Luciano Mattos, você é parente da Monica? Aliás, quem é você?
Luciano Mattos - Primeiro eu queria mandar todos vocês que fizeram essa entrevista com a Monica Mattos à merda, já que acabaram com a minha diversão. (passou, respira fundo)
Meu nome é Luciano Mattos, tenho 31 anos, sou redator publicitário, nasci em São Paulo, fui criado no Rio e moro há 5 anos em Recife. Agora estou desempregado, já que sai da RGA Comunicação pra fazer campanha política em outro Estado e enfim comprar minha tão sonhada bicicleta de 21 marchas e começar a pagar minha casa no campo.
Boteco Sujo - Por que resolveu criar o twitter da Monica Mattos?
Luciano Mattos - Há mais ou menos 1 anos atrás, na agência em que eu trabalhava na época, meu sobrenome rendeu meia dúzia de piadas do tipo: a Monica é sua prima? Me apresenta?
Claro que eu não poderia deixar de dizer que sim, e ainda por cima, provar. Pra isso eu criei o tuiter.
Boteco Sujo - Como é ser Monica Mattos?
Luciano Mattos - Como ERA ser @monica_mattos, né seu filho da puta? (respira)
Bom, era no mínimo divertido e no máximo um puta estudo sociológico. Entendi principalmente, o que talvez nem a verdadeira saiba, mas o mercado pornô tem um público muito mais abrangente do que adolescentes espinhentos e punheteiros de meia idade. Sinceramente, o carinho que a @monica_mattos recebeu desse povo não deixa nada a desejar para uma atriz global. Achei isso do caralho. Claro que a maioria preferiu fazer perguntas do tipo você cospe ou engole, mas muitos seguidores só queriam dar os parabéns e dizer o quanto gostavam dos filmes. (tá, nessas horas batia uma certa culpa, foi mal aê seguidores)
Boteco Sujo - Esperava tanta repercussão?
Luciano Mattos - Eu esperava conquistar o mundo, mas só deu pra conquistar 23.000 seguidores até vocês estragarem meus planos. (Eu já te xinguei aqui? Filho da puta!)
Sério, percebi que tinha virado um monstro quando vi que o fake tinha recebido um prêmio de um site de um gordinho que apresenta algum programa na MTV. Ali eu vi que só ia acabar a onda quando alguém me desmascarasse. (retiro o filho da puta de cima, obrigado por isso)
Boteco Sujo - Quais foram as reações mais divertidas e/ou constrangedoras que recebeu na sua vida como Monica Mattos?
Luciano Mattos - Rapaz, como eu falei ali em cima, fiquei impressionado com a delicadeza do povo. Até quando o assunto era o famoso filme com o cavalo, o pessoal aliviava perguntando: "doeu muito Mô"? Fiquei de cara.
Boteco Sujo - Alguém chegou a enviar propostas financeiras das boas para seu Twitter?
Luciano Mattos - Sim. Comprei meu Audi A3 com uma delas.
Boteco Sujo - O que achou da reação da Monica?
Luciano Mattos - Então, uma amiga dela que trabalha em produções do gênero tinha dito que ela curtia e tal, mas achei engraçada a entrevista, nunca esperei uma reação tão tranqüila. Na verdade pelo que ela falou ali, ela leu pouco né? Talvez se ela conhecesse melhor teria me processado ou algo do tipo. (pensando melhor, que bom que vocês me tiraram do armário, valeu)
Boteco Sujo - Como vai ficar o @Monica_Mattos daqui para frente?
Luciano Mattos - Sei não velho, acho que morgou né? Vamos ver. Talvez eu faça um FAKE de outra celebridade underground, vai saber. Mas estou precisando de emprego. Agências que valorizam redatores criativos que amam qualidade de vida, estou aqui!
Boteco Sujo - Cite as suas cinco twittadas de @Monica_Mattos que são as suas favoritas.
Luciano Mattos - Porra, desvendou que @monica_mattos é fake e ainda quer foder o cara por trás da ideia? Faz assim, escolhe vc e responde essa. Vou botar só a de hoje
Pensem por esse lado: A frustração de eu não ser eu mesma é bem menor do que a de eu não curtir mais meninos. Não?
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Fausto Salvadori
Rabiscado às
11:53
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16 de julho de 2010
Sobre cadáveres e urubus
Imagine um leitor deixando na portaria de um jornal uma caixa com um braço cheio de vermes. Histórias como essa só podiam acontecer com o saudoso Noticias Populares. E, com o Meia Hora estreando em terras paulistanas nos próximos dias, vou aproveitar a deixa para postar aqui um documentário em rádio sobre a história do último jornal de sexo-humor-e-violência publicado em São Paulo.
O doc é um trabalho de conclusão de curso apresentado pela Lívia Sampaio em 2005, no curso de Jornalismo da PUC-SP, e aborda principalmente as histórias da cobertura policial na madrugada nos últimos anos do NP. Participações de André Caramante e Fernando Costa Neto, entre outros. Vale a pena ouvir.
O doc é um trabalho de conclusão de curso apresentado pela Lívia Sampaio em 2005, no curso de Jornalismo da PUC-SP, e aborda principalmente as histórias da cobertura policial na madrugada nos últimos anos do NP. Participações de André Caramante e Fernando Costa Neto, entre outros. Vale a pena ouvir.
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Fausto Salvadori
Rabiscado às
14:07
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13 de julho de 2010
R.I.P.ekar
As várias caras de Pekar
Pouca gente escreveu quadrinhos como os de Harvey Pekar. Num meio de expressão dominado por histórias de seres coloridos salvando o universo de mil apocalipses diários, em que mesmo os autores mais adultos preferem tramas fantásticas, chocantes ou violentas, o quadrinista de Cleveland preferiu contar as mais corriqueiras histórias autobiográficas sobre o seu dia-a-dia de funcionário público. Fez uma literatura digna dos melhores escritores sem desenhos e ajudou a abrir a picada do quadrinho indie norte-americano, hoje quase todo dominado pelos contos autobiográficos.
Pekar ainda era diferente dos outros indie, pois costumava trabalhar com um material bem mais prosaico. Raramente se metia em temas fortes como guerras, grandes paixões, abusos sexuais, Holocausto. Em vez disso, escrevia sobre colegas de escritório, filas de supemercados, conversas em bares, idas à padaria.
Mesmo sendo desenhado por gente foda como Robert Crumb, Joe Sacco, Chester Brown e até Alan Moore, mesmo entrevistado por David Letterman e interpretado no cinema por Paul Giammati (um belo filme!), Pekar evitou levar "vida de artista". Continuou a fazer gibis nas horas vagas enquanto batia cartão no seu trampo de funcionário público. Assim, conseguiu conservar o olhar para aquela realidade sem nada de mais onde a maioria das pessoas costuma passar a maior parte de suas vidas. Pois era ali que Pekar buscava material para suas histórias, contos que aparentemente falavam sobre nada, mas eram belas sacadas mordazes a respeito da gente.
Harvey chegou a se tornar um convidado recorrente de Letterman, já que seus comentários mal humorados fazia a platéia rir. Mas logo o quadrinista se cansou de bancar o palhaço de auditório e passou a sabotar sistematicamente suas apresentações, provocando o apresentador até o limite com observações incômodas sobre a relação da NBC com a GE (mais ou menos como se um escritor convidado para o Jô Soares começasse a falar sem parar sobre as ligações da emissora com a ditadura militar, Collor, Sarney ou a Fifa).
Selecionei aqui o último ataque sucida de Harvey contra o Jô americano — depois disso, Harvey nunca mais voltou para o programa. Em duas versões.
Aqui, como o programa passou na TV.
E, aqui, como Harvey retratou a história em seu gibi American Splendor (clica para ver maior):
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Fausto Salvadori
Rabiscado às
22:48
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12 de julho de 2010
Cristo apoia "ousadia" de Playboy portuguesa e elogia Saramago
Inri Cristo acompanhado de suas Inrizetes (foto de Daniel Madsen)
A aparição de Jesus Cristo em meio às peladas da última Playboy portuguesa, num ensaio em homenagem a José Saramago, ameaça impor férias forçadas às mãos dos fãs lusitanos da revista. Mal a publicação chegou às bancas, a matriz norte-americana já anunciou que pretende rescindir o contrato com os editores portugueses. "Trata-se de uma violação chocante das nossas normas e não teria sido permitida a publicação se tivéssemos conhecimento antecipado", disse a vice-presidente de relações públicas da Playboy, Theresa Hennessy, a respeito da combinação Jesus + prostitutas. A Frestacom, que edita a Playboy portuga, resolveu comprar briga com a dona do coelhinho e disse que pretende continuar a publicar a revista.
E o próprio Jesus Cristo, o que pensaria disso?
Preocupado em dar voz a todos os lados e, principalmente, em garantir um pouco de santidade a este boteco profano e com isso conquistar, quem sabe, uma quitinetezinha para minha alma no Paraíso, resolvi falar com o próprio Filho do Homem. E nem foi tão difícil. Para quem não sabe, Jesus voltou para a terra há 62 anos e vive hoje na região metropolitana de Brasília com o nome de Inri Cristo. Por meio de sua assessoria, formada por mocinhas de túnica azul que não fariam feio num outro ensaio da Playboy (cala a boca, herege!), o Messias reencarnado falou com o Boteco Sujo. E revelou que o Cordeiro de Deus não só gostou do ensaio da Playboy como também curte a literatura de Saramago.
Boteco Sujo - O que o Filho de Deus achou do ensaio da Playboy portuguesa?
Inri Cristo - No meu parecer, foi uma atitude de singular ousadia e por demais oportuna nesses tempos em que se reavalia os valores do pseudo-moralismo dito "cristão". Essa imagem de um Cristo "imaculado", alheio à realidade das esquinas sociais — onde estão inseridos os boêmios, as prostitutas, os marginalizados... — precisa ser de uma vez por todas desmascarada. O sagrado e o profano não se excluem, porém se complementam. Só através do pecado é possível um dia chegar à santidade, e quem se considera à parte do rol dos "pecadores" já está incorrendo no pecado da mentira. Tanto agora como há dois mil anos, antes do jejum e da revelação, fui conduzido pelo meu PAI, SENHOR e DEUS, sem livre-arbítrio, a experimentar os pecados do mundo, conforme bem expresso em Isaías c.7 v.14 ("Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel. Ele comerá manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem"). "Comer manteiga e mel" significa experimentar os pecados do mundo, conhecer o bem e o mal, até obter o necessário discernimento para cumprir minha missão. Eis por que eu sou puro, porém não sou ingênuo.
Boteco Sujo - A propósito, o Filho de Deus conhece a obra de José Saramago? O que pensa dele?
Inri Cristo - Das obras de José Saramago, já li o livro e apreciei o filme Ensaio sobre a Cegueira. Considero-o uma arte nobre, inspirada, sapiente. E já incluí na lista de minhas próximas leituras o livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
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Fausto Salvadori
Rabiscado às
17:53
12
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7 de julho de 2010
Um pornô, duas tristezas
Se não fosse real, a história de Eliza Samudio e o goleiro Bruno seria um filme exploitation meia-boca ou um folhetim da pior qualidade. Não só pelo abuso nos clichês envolvendo alta sociedade, pornografia, suruba e violência, mas pela trama manjada que entrega o vilão logo de cara. Se Bruno for mesmo o assassino, é chocante que tenha deixado uma trilha de sangue tão óbvia atrás de si. É como se ele acreditasse mesmo que, por conta da posição que ocupava, poderia tranquilamente eliminar uma garota situada num ponto bem mais baixo da cadeia alimentar sem que fosse responsabilizado por isso. E o talvez não estivesse tão errado. Quantas vezes as violências que vêm do alto não são ignoradas? Uma menina de Florianópolis sabe o que é isso..
O ex-ator pornô Carlos Bazuca demorou algum tempo para reconhecer o rosto de Eliza nos noticiários, embora tenha feito duas cenas de sexo com ela. É que Carlão a conheceu por outros nomes. Fernanda Faria, Victoria Sanders e Raycca Oliveira foram as identidades que a menina adotou ao atuar em filmes como Até que Enfim Anal ou Violação Anal 4. Foi uma carreira rápida, pouco mais do que um bico. Segundo Carlão, "ela deve ter feito no máximo dez cenas", muito pouco para um métier em que as atrizes contam seus trabalhos em centenas.
Perguntei a Carlão sobre Eliza, mas ele não tinha muito o que dizer. Eles não tiveram nenhuma intimidade, só fizeram sexo:
— Na verdade, a gente não conversou muito. Nós fizemos duas cenas, mas não tivemos nenhum contato mais próximo. Só conheci ela ali na hora da gravação e pronto.
"Ela era uma menina alegre e descontraída, cheia de sonhos"
Apesar de breve, o contato deixou boas lembranças:
— Ela era uma menina alegre e descontraída, cheia de sonhos. Não tive nenhum problema em cena com ela. Foi uma menina prestativa, legal, educada. Uma menina muito bonita. Mandou bem na cena.
E uma tristeza:
— Eu fiquei muito triste com o que aconteceu. Já ficaria triste se eu não conhecesse a menina. Conhecendo é muito pior.
Carlão e e Leila Lopes: "triste coincidência"
Eliza não foi a primeira parceira em cena de Bazuca a ter um final trágico. Carlão também contracenou em 2008 com Leila Lopes, que se suicidou um ano depois. Na época do filme, Leila elogiou o physique du role de Bazuca.— É uma triste coincidência — comenta. — E a Leila então foi mais sofrido ainda, porque com a Leila eu tive um pouco mais de contato. Era uma pessoa maravilhosa, que me ajudou demais. Muito triste. Mas a vida é assim, né? Para morrer basta estar vivo. Infelizmente é assim.
Com o mercado do sexo explícito praticamente morto, Carlão abandonou a carreira no ano passado, após 11 anos de trabalho duro. Hoje ele tem uma loja de vídeos. Somente alguns, bem poucos, são pornográficos.
Por
Fausto Salvadori
Rabiscado às
14:48
27
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