Errar é humano
Em homenagem ao JB, aí vai uma pequena coletânea de barrigas, cometidas por grandes e pequenos.

Urubus profissionais e prevavidos, os jornalistas adoram antecipar mortes e costumam manter um estoque de matérias prontas sobre o falecimento de várias figuras públicas, ainda que a pessoa em questão esteja transbordando saúde. Alguns jornais mantêm profissionais especializados só em escrever sobre defuntos frescos (Gay Talese, o Cara, traçou o perfil do redator de obituários do New York Times, no texto "Sr. Agourento", incluída em Fama e anonimato).
Pois não é que uma série de artes de obituários prontos com a morte de várias celebridades vazou do site da CNN em 2001? No Smoking Gun, é possível ver o que o site preparou para os falecimentos de gente como Fidel Castro, Dick Cheney e outros que continuam vivos até hoje.
Coisa parecida aconteceu com o UOL, que "matou" o governador Mário Covas um mês antes da morte real, em 2001.

Quando o primeiro-ministro Tony Blair anunciou sua renúncia, há duas semanas, a CNN mais do que rápido colocou a notícia no ar, mas enganou-se de cargo e de país e estampou: "Bush renuncia". Seria o ato falho de algum jornalista democrata?
Um dos clássicos do anedotário jornalístico é a história de como a Veja caiu na brincadeira de Primeiro de Abril da prestigiada revista gringa New Science e, em 1983, publicou a história do "boimate", fruto do cruzamento genético entre um boi e um tomateiro. A revista chegava a dizer que "a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica" (segundo trecho disponibilizado pelo Portal do Jornalismo Científico).
A revista mencionou o erro no seu especial de 30 anos, mas, sem muita humildade, atribuía a culpa pela barriga a "cientistas brasileiros respeitados".
Era para ser mais uma notinha esquecida num canto da coluna social de um jornal com tiragem de 10 mil exemplares, mas se transformou num hit da internet. Na legenda da foto de uma respeitável senhora que fazia aniversário, o jornal A Gazeta, de São Bento do Sul (SC), manteve por engano a recomendação deixada por algum jornalista a respeito do corte na fotografia: "colocar só a véia".
É provavelmente a errata mais engraçada já publicada pela Folha de S.Paulo: "Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos' (...), Jesus não foi enforcado, mas crucificado". O texto está na coletânea de Erramos publicado na Folha Online, "uma seleção de notas embaraçosas e sugestões para evitá-las".
O site não informa, mas o autor do erro é Daniel Piza, hoje um dos principais articulistas do Estadão. Que, a julgar pelas reações à sua biografia de Machado de Assis, ainda continua a errar pequenos detalhes aqui e ali.

Outro erro nascido da apuração defeituosa via Web. Para ilustrar a matéria de um exilado chinês que virou escritor, os redatores do capixaba A Gazeta tiraram da internet alguns caracteres chineses que acharam bonitinhos. Os leitores logo notaram o que passou batido pelos jornalistas: os caracteres não eram chineses, apenas uma versão estilizada da frase VÁ SE FODER.

3 Meteram a boca:
Sabe que eu acho que essa matéria do JB quis pegar carona nessa aqui, do Washington Post: "Cartéis mexicanos de narcotráfico deixam trilha de sangue no YouTube", mas não conseguiram um equivalente tão bom.
O texto é longo, mas vale a pena: http://www.viapolitica.com.br/fronteira_view.php?id_fronteira=76
Cara, Não tem coisa mais engraçada do que as barrigas cometidas pela imprensa. E a proposito. Talese é o Cara! hehehe.
E o pior é que o jornal A Gazeta conseguiu errar duas vezes. Eles não só mantiveram a "recomendação" como publicaram a foto com o corte errado. Saiu uma "muié" ao lado da "véia".
Beijos estratégicos...
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