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    2 de agosto de 2009

    Ela é Brasil no pornô espanhol - parte 1

    Uma das atrizes pornôs mais famosas da Espanha é brasileira: Dunia Montenegro, rainha da dupla penetração que leva sempre uma Bíblia no bolso
    Dunia Montenegro: mais de 200 filmes

    Começa assim. Uma menina de 19 anos do morro carioca, tão pobre que dois de seus irmãos tiveram de ser entregues para adoção, recebe um convite para trabalhar como dançarina na Espanha logo após perder a mãe, vítima de Aids. É o tipo de abertura que teria tudo para terminar como mais uma história trágica de brasileira capturada em alguma trama de escravidão e tráfico de seres humanos. Mas os redatores do destino humano curtem uma reviravolta, e a história da carioca Dunia Montenegro seguiu outro rumo.

    Trabalhando como dançarina, Dunia conheceu um espanhol com quem se casou, teve uma filha e se separou após três anos. A essa altura, longe do recato da família conservadora do Rio, Dunia já havia descoberto que adorava fazer sexo, fosse com homens, mulheres, amigos ou desconhecidos. Concluiu que era uma viciada em sexo, mas, em vez de procurar terapia, resolveu ganhar dinheiro com o vício e tornar-se atriz pornô.

    A brasileira logo se tornou uma das atrizes mais conhecidas do pornõ espanhol — o quarto maior mercado do sexo explícito na Europa, atrás de Alemanha, França e Itália. Ela faz a alegria das mãos calejadas dos fãs de pornografia, não só por sua beleza "exótica" de brasileira, mas pela disposição em encarar cenas de sexo hard.

    Essa mãe de família que leva sempre uma Bíblia no bolso e adora dupla penetração conta que uma das cenas de sexo que mais gostou de fazer deixou-a de cama por dois dias, com marcas de mordidas e hematomas espalhados pelo corpo. É reconhecida nas ruas também por pessoas que nunca viram um filme pornô, mas assistiram a participações de Dunia em programas de TV (como essa).

    Dunia não é daquelas que gosta de falar do passado pobre para enfatizar a imagem de self-made-woman. "Quantas vidas não são sofridas no nosso país?", desconsidera. Hoje com 32 anos, ela coleciona prêmios da indústria pornô, dirige filmes e tem uma agência de atrizes pornográficas. Para Dunia, as atrizes de sexo explícito cumprem uma nobre função social:

    — A garota de programa com uma foda faz feliz a um homem; a atriz pornô com uma foda faz feliz a milhares de homens ao redor do mundo todo. Com certeza alguém agora está se masturbando com um coito que com certeza já nem me lembro.

    Dunia retratada pelo artista Carlos Diez
    para a revista Erox Comix

    Leia a seguir a primeira entrevista em português com Dunia Montenegro, feita por e-mail e MSN.

    Boteco Sujo – De que lugar do Rio você é?


    Dunia Montenegro –
    De Padre Miguel. Sou doente pela minha Mocidade Independente!

    Boteco Sujo – O que seus pais faziam?

    Dunia - Minha mãe foi mãe solteira, e fui criada pelos meus avós. Ela trabalhava de empregada doméstica e morava na casa dos patrões. Só vinha nos fins de semana para ver a gente. Teve cinco filhos: duas teve que dar em adoção porque não podia criar, uma mora no norte do Brasil com a família do pai, mas não sei nada dela, e só uma se criou comigo. Eu a trouxe para a Espanha e hoje ela mora nas Ilhas Canárias.
    Quando eu tinha uns 15 anos, minha mãe viajou para a Argentina para trabalhar em casa de família e teve a sorte de conhecer um argentino rico. Assim, minha vida mudou durante uns dois anos, até que ela descobriu que tinha Aids e morreu.

    Dunia (à esquerda) com a família: infância pobre

    Boteco – Foi um começo bem sofrido.

    Dunia –
    Sim, mas quantas vidas são sofridas no nosso pais? Muitas. Mas tive uma vida familiar conservadora e religiosa, e acho que por isso não fiz besteira e sempre me preocupei em estudar e trabalhar.

    Boteco - Você começou a vida sexual mais tarde do que a maioria das meninas da comunidade?

    Dunia – Sim, um pouco depois da minha mãe falecer. Acho que tinha quase 18 anos quando perdi a virgindade.

    Boteco – Com um namorado?

    Dunia - Sim, com um namorado que era camelo, ja ja ja (risadas espanholas). Morava na favela, eu adorava ele e poderia ter casado, mas ele me deixou. E graças a Deus, porque assim viajei pro exterior.

    Dunia: "Com uns 15 anos, o famoso book da Sonora
    (todas as adolescentes do Rio fazem esse book)"


    Boteco - No que você trabalhava antes de ir para a Europa?

    Dunia –
    Terminei o segundo grau e trabalhava como administrativa em uma empresa de informática, Anchieta Teleinformática, não sei se ainda existe. Antes tive um trabalho de recepcionista. Eu sempre conseguia o trabalho, mesmo sem ter muita experiência. Acho que sempre tive uma boa estrela, sorte, anjo da guarda, axé, não sei como se chamam.

    Boteco – E como foi a proposta de ir para a Espanha?

    Dunia -
    Eu dançava com um grupo de música afrobrasileira, que eram os mesmos com que fazia capoeira. Nos fins de semana fazíamos shows grátis onde chamassem a gente. Eu dançava e cantava com o grupo e o mestre, Marcos Bomba. Era um show de 45 minutos em que dançávamos nos hotéis para os turistas, de capoeira, samba, lambada, afro, dança de orixás, um pouco de tudo. Também depois tivemos que fazer um show sexy em que ficávamos de calcinha e sutiã. Me dava um pouco de vergonha, mas pagavam bem e no fundo eu gostava de me exibir. Eu era insegura, mas gostava de me sentir desejada. Até que um dia uma mulata, que tinha que enviar um grupo de três mulatas e dois capoeiristas à Espanha para um contrato de nove meses em Canárias, me viu e me ofereceu viajar.

    Boteco – Nem passava pela sua cabeça virar estrela da indústria do sexo?

    Dunia –
    Não, nunca pensei.

    Dunia: "Com 18 anos, antes de sair do Rio,
    fiz fotos nuas para uma revista alemã"


    Boteco - Como você, que era uma “moça tímida”, começou a fazer strip-tease?

    Dunia –
    Ja ja ja, era tímida mas muitos artistas são paradojicamente (não sei falar isso em português) tímidos. Acho que na vida real não têm coragem de ficar "loucos" e usam a arte ou o seu trabalho como artista pra desabafar. De todas as formas, eu trabalhava de go-go dançando em uma discoteca e ganhava 60 euros por noite dançando seis horas. Um stripper que foi na discoteca me disse: "Você é bonita. Se botar peito podia ganhar 90 euros por 10 minutos de trabalho [fazendo strip-tease], e se fizer vários shows em uma noite, pode ganhar em um fim de semana o que ganha aqui o mês todo!". Fiz as contas e no dia seguinte comprei a passagem para ir ao Brasil operar os peitos, e ai começou o strip. Ganharia mais dinheiro e teria mais tempo para estar com a minha filha, perfeito!

    Boteco - Ah, nessa altura você já tinha uma filha.

    Dunia - Sim. Quando acabou o contrato com a empresa que me trouxe para a Espanha, eu tinha que voltar para o Brasil, mas fiquei aqui como ilegal por uns meses. Conheci um menino espanhol pelo qual me apaixonei. Ele me pediu em casamento e nos casamos. Durante meu casamento montei uma empresa de shows, e durante dois anos foi muito bem. Depois que fechei a empresa, logo me separei (já tinha minha filha) e então comecei como go-go, stripper e depois atriz pornô.

    Boteco - Do strip-tease para o pornô foi um pulo?

    Dunia - Foi tudo como uma rebeldia. Queria começar minha vida de novo depois de seis anos de relação e mudei tudo. Fiz três tatuagens, botei piercings, comecei a dançar em discotecas, logo aumentei o peito e veio o strip. Estava revoltada porque, ao me separar, passei uma fase difícil e, como quase ninguém me ajudou, pensei que não tinha porque me preocupar o que o mundo pensava do meu trabalho. Já que não interessava a ninguém meus problemas, então não ia interessar a ninguém meu trabalho. O pornô... Eu ganhava 90 euros dançando a noite toda como stripper em clubes, e vi que uma vez trouxeram uma estrela do pornô no local. Por um show rapidinho de dez minutos, ela cobrou uns 600 euros! Também eu já adorava sexo naquela época, dava para todo mundo e nem sempre era divertido porque às vezes me sentia um pouco mal, mas não podia controlar. Adorava ter sexo com desconhecidos. Então foi um pouco de tudo: era viciada em sexo e, em vez de ir à terapia, fui a um casting pornô. Ainda por cima, sendo atriz pornô ganharia mais dinheiro e poderia cobrar mais como stripper.

    Boteco - Pornô é melhor que terapia?

    Dunia - Porno é muito melhor que terapia. Em vez de pagar, recebo por fazer isso. Estou melhor hoje e foi super divertido, viajei muito e aprendi idiomas! Maravilhoso!

    "Pornô é melhor que terapia"

    Boteco - Quando você foi para o pornô, já tinha bastante experiência em sexo?

    Dunia -
    Sim, porque quando cheguei na Espanha, como já não tinha minha família para me controlar, saía com muita gente. Durante o casamento, botava chifre no meu marido só com mulheres. Quando me separei, voltei a sair com todo mundo.

    Boteco - Já tinha feito de tudo? Sexo grupal, anal, fetiches?

    Dunia -
    Não, fetiches e sado só fiz no pornô. Anal eu já fazia desde que cheguei na Espanha com 19 anos: tinha um namorado naquela época com o pau tão pequeno que só sentia algo por trás. Sexo em grupo também não. Tentei uma vez fazer com dois homens mas não conseguiram.

    Boteco - Como foi sua primeira cena pornô?

    Dunia -
    Meu casting foi horroroso! O menino pensou que estávamos preparadas para o anal e meteu sem avisar. Doeu mais que parir minha filha, mas insisti. Quando foi para minha primeira cena profissional, adorei. Me pagaram a viagem, estávamos em um hotel de luxo, ganhando bastante dinheiro. Na minha primeira cena fizeram uma dupla [penetração]. Os caras lindos, com pauzões, amei! Me arrependi de não ter entrado para o pornô antes.

    Boteco - Em que ano você começou no pornô?

    Dunia - Comecei no ano 2004, com 27 anos. Era um pouco tarde porque as mulheres começam muito novas nesse negócio, com 18 ou 20 anos, mas graças a Deus os brasileiros temos boa genética!

    Boteco - Quantos filmes você já fez?

    Dunia - Não sei quantos filmes fiz. No mercado pode encontrar uma centena. mas calculo pelo menos 200, já que alguns só saíram na internet ou na televisão por canal pago, e outros nem sequer chegaram ao mercado porque as empresas não conseguiram distribuidores, algo que acontece bastante.

    Boteco – Quanto você fatura como atriz pornô? O pagamento é por cena?

    Dunia – Depende. É por cena, de 500 a 900 euros por cena, e em um filme pode-se fazer uma cena ou cinco se for a protagonista. Quando não podem me pagar o que eu peço, negocio e peço os direitos (copyrights) da cena para vender no meu site também.

    Dunia Montenegro em show

    Boteco - Quais foram os principais sites e produtoras com que você trabalhou? Quais foram as suas melhores cenas?

    Dunia - Nos Estados Unidos gravei uma cena para West Coast, uma produtora “interracial”, e a cena foi horrorosa! Acabava de começar no pornô e não estava preparada para dois atores que pareciam trípodes. Também gravei muito para Evil Angel, que é sexo puro e duro e é o que eu mais gosto. Outro filme importante para Evil Angel foi Fashionistas Safado Berlin, um dos melhores filmes do pornô, com o diretor John Stagliano. Na Europa gravei uma cena bem forte para produtora inglesa Harmony Films. Trabalhei em uns 11 filmes da Drunksexorgy que são surubas que se supõe que são improvisadas nas discotecas e todos estão bêbados. Na Espanha coprotagonizei Mundo Perro e The Resolution, consideradas dois dos melhores filmes espanhóis… Não sei, são muitos. Em Budapeste trabalhei para DDFprod.com, que é um site super importante. Há pouco tempo gravei para Publicdisgrace.com do grupo Kink, que eram cenas de sexo na cidade, com gente olhando. Tem que ter muita coragem e cara de pau pra fazer isso.

    Boteco – Quais são os atores/atrizes e os diretores que você mais admira?

    Dunia - Admiro muito Nacho Vidal e Toni Ribas, espanhóis, Manuel Ferrara, francês, e Lexington Steele, americano. Atrizes amo Jenna Jameson pela sua mente de empresária (nela me inspirei para abrir meu negócio) e Belladonna por fazer cenas tão extremas e desfrutar tanto, ela é imbatível! Diretores? Jazz Duro é muito bom, dirige pra Brasileirinhas também. Roberto Valtueña que faz filmes como de cinema convencional de verdade. E claro que adoro os meus filmes que começo a dirigir! Realizo todas as minhas fantasias quando gravo para mim.

    Boteco – O que você acha do pornô brasileiro?

    Dunia - Uf, sou fã! Acabei de ver um trailer que vale a pena, por favor, indica ele no seu site: Rio Loco, um filme da Jules Jordan Video. Aí podem ver todo o potencial das belas atrizes brasileiras. No norte da Europa são lindas, mas um pouco frias geralmente. Na Espanha adoram sexo, mas muitas não fazem sexo anal nem nada forte, e os corpos aqui não são tão perfeitos. As brasileiras são como as americanas: ambas são as melhores atrizes pornôs do mundo. Belas, lindas, corpos perfeitos e malhados. E são cachorras, fazem de tudo e ainda por cima desfrutam. Só que a brasileira é muito mais bonita do que a mulher americana. Algumas americanas se operam demais. No Brasil se nota que Deus estava inspirado quando criou a mulher brasileira com essas curvas harmônicas, essas bundas maravilhosas, essas caras exóticas, vixe maria! Deus é brasileiro mesmo!
    "Deus estava inspirado quando criou a mulher brasileira"

    Boteco – Brasileiros X europeus. Quem é melhor de cama?


    Dunia - Ui, pergunta difícil. É como me perguntar se prefiro homens e mulheres, e não tenho preferência, são diferentes. Acho que o europeu é mais maleável. Cada pessoa desfruta do sexo de uma maneira diferente e é muito mais difícil acostumar um brasileiro a fazer do meu jeito. São mais dominantes, não aceitam tanto sugestões como os europeus. Claro que os brasileiros fazem melhor, mas a verdade é que conheci muitos europeus que não faziam tão bem, mas tinham tanta vontade de aprender que depois de uns conselhos faziam igual ao melhor que um conterrâneo meu. São bons alunos. Senão já teria voltado para o Brasil há muito tempo!


    Outras entrevistas com atrizes pornô:
    Leila Lopes, a pornô chatinha

    4 Metendo a boca:

    Lívia Pinho disse...
    Esta postagem foi removida pelo autor.
    Lívia Pinho disse...

    conheci seu blog esse fim de semana, assim, por acaso - maior acaso ainda não me aconteceu - e estou fascinada.
    parabéns pela dedicação.

    maconheiroUIUUIU disse...

    UIIAAA QUANTA SAUUUDE HEMM!

    Verdelone disse...

    hehe
    Você conseguiu uma exclusiva com a moça....
    Muito bom
    Abçs
    CIA DOS BOTECOS - www.ciadosbotecos.blogspot.com