Twitterias

    Sigam-me os bons

    9 de outubro de 2009

    A Marquesa de Sada

    Cena de "Pure", pornô sobre uma história de castração
    Abe Sada: Após matar Ishida eu me senti totalmente calma, como se tivessem retirado um grande peso dos meus ombros, uma sensação de clareza. Tomei uma garrafa de cerveja que havia trazido comigo e me deitei ao lado de Ishida. Sua garganta foi ficando seca, então umedeci a língua dele com a minha e limpei o seu rosto. Não parecia que eu estava ao lado de um cadáver. Ele parecia mais adorável para mim do que quando estava vivo. Dormi ao seu lado até de manhã, brincando com seu pênis, e cheguei a apertá-lo contra mim. (...) Enquanto brincava com o pênis de Ishida, pensei em cortá-lo e levá-lo comigo, daí peguei a faca que tinha escondido atrás da moldura do quadro. Pus a faca contra a base do pênis, mas estava difícil de cortar e levou muito tempo. (...) Depois coloquei a faca contra a base do seu escroto e cortei os testículos, mas também era duro de cortar, então acho que deixei parte do escroto para trás. Embrulhei o pênis e os testículos num pedaço de pano, mas havia um monte de sangue derramando do ferimento e eu pressionei o pano ali. Então molhei meu indicador direito no sangue derramado e o espalhei na minha roupa de baixo, nas mangas, no colarinho. Depois de tudo, escrevi com sangue "Sada, Kichi juntos” na coxa esquerda de Ishida e no lençol. Em seguida, gravei o ideograma do meu nome nele e lavei minhas mãos na pia. Arranquei a capa de uma revista Fuji que estava ao lado do travesseiro dele e embrulhei ali seu pênis e os testículos. Tirei a roupa de baixo de Ishida do cesto de roupas, coloquei dentro o seu pênis embrulhado e o apertei contra mim. Por fim, coloquei meu quimono e a faixa. Quando estava vestida e pronta para sair, limpei o quarto.

    Pergunta: Por que você removeu o pênis e o escroto de Ishida?

    Abe Sada: Eram as partes dele mais queridas e importantes para mim. A mulher dele iria tocá-las quando lavasse o seu corpo, e eu não queria que ninguém mais o tocasse. Eu precisava fugir dali de qualquer jeito, mas se tivesse o pênis de Ishida eu achava que não me sentiria sozinha. É como se ele continuasse comigo.

    Depoimento de Abe Sada à polícia
    (tirado do livro "Geisha, Harlot, Strangler, Star: A Woman, Sex, and Morality in Modern Japan", de William Johnston)


    A história real de Abe Sada, que amava tanto seu amante a ponto de estrangulá-lo numa brincadeira erótica e depois sair carregando o pau e as bolas da paixão falecida como suvenires, ocorrida no Japão de 1936, já virou de tudo. Abe Sada é literatura, gibi, banda de rock, filme... Ela ajudou até a deslanchar um movimento estético, o sexual e pervertido Ero-Guru.

    O legado da corta-pinto nipônica foi longe e influenciou até o Brasil varonil. Pois a japonesa foi indiretamente responsável pela criação da indústria pornográfica verde-e-amarela. Aconteceu nos anos 80, quando a mais famosa obra sobre Sada, O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, driblou a Censura e tornou-se o primeiro filme de sexo explícito exibido no país, graças a uma decisão da Justiça que reconheceu os méritos estéticos da obra. Estava aberta a brecha legal que permitiu aos produtores da Boca de Lixo produzir os primeiros filmes pornôs do circuito comercial brasileiro, todos exibidos com base em liminares da Justiça.

    O Império dos Sentidos continua sendo uma obra-prima da arte pornográfica, mas há outros filmes baseados na história de Sada. Uma Mulher Chamada Abe Sada, filmado um ano antes de Império, acabou eclipsada pelo seu sucessor. Em 1998, os japas deixaram o sangue e a seriedade de lado e criaram Sada, uma comédia metalinguística esquisitinha.

    A novidade é que finalmente a história de Sada chegou ao bom e velho pornozão. A produtora Evil Angel, de John "Buttman" Stagliano, está lançando Pure, dirigido por David Aaron Clark, com a deliciosa Asa Akira, que deverá "contar" a história de Abe entre uma cena de sexo e outra.

    A produtora só não esclareceu como conseguirá dar um tratamento pornô para a castração, que costuma ser um assunto meio... como direi? Brochante?

    4 Metendo a boca:

    Alex B disse...

    Tema não só brochante,mas aterrorizante. O velho e eterno Freud mostrou que o medo da castração éum terrorzaço atávico em nós homens.Se conseguirem fazer um pornô com esse tema,em que a excitação vença o medo... Quem vai encarar assistira isso até o final?

    Anônimo disse...

    Adoraria morrer na ponta da faca dessa Marquesa de Sada. Somente o seu olhar quase me faz gozar.

    Junior Bellé disse...

    Asa Akira.. hummm... isso vai ser bem interessante apesar de tudo.

    Fausto Salvadori disse...

    Não é um tema inédito no pornô. Nos anos 90, houve o "John Bobbit Sem Cortes", com o próprio despirocado Boobit interpretando a si mesmo. Para atenuar a violência, abortaram o realismo da cena e Lorena Bobbit aparecia segurando o que era obviamente um vibrador.