18 de outubro de 2009
Demissão em massa no Diário de S. Paulo
O grupo Traffic, do cartola J. Havilla, que anunciou na semana passada a compra do Diário de S. Paulo, pretende demitir os 380 funcionários do jornal até o final do mês. Muitos devem ser recontratados em seguida, mas ninguém sabe exatamente como isso será feito.
Pelo que se comenta, a demissão em massa faria parte do acordo de venda acertado entre a Traffic e a Infoglobo, antiga dona do Diário. Graças ao megapassaralho, o império J. Havilla poderia herdar o Diário de S. Paulo sem se preocupar com dividas trabalhistas, que seriam todas assumidas pela Globo. O risco é os novos patrões resolverem recontratar os demitidos por salários mais baixos ou mesmo cortar parte dos direitos trabalhistas, na base do "é pegar ou largar".
E o Sindicato dos Jornalistas? Até agora não se manifestou.
Tudo está sendo feito da maneira nebulosa que caracteriza o procedimento dos grupos de mídia no Brasil, que adoram defender a própria liberdade de expressão e cobrar transparência dos outros, mas preferem agir nas sombras quando se trata dos seus negócios. A demissão em massa não foi assumida publicamente pelas empresas e não consta de nenhuma das notícias publicadas sobre o negócio, as quais se limitaram a apontar o papel estratégico da compra do Diário para ampliar o alcance da rede Bom Dia — braço impresso do império Traffic, que já controla nove jornais no estado de São Paulo.
E o leitor, como fica? Melhor não esperar muito. No geral, a expansão dos monopólios de mídia só faz piorar o jornalismo, deixando todos os veículos com a mesma cara fast-food. Desaparece a apuração de conteúdo próprio e pipocam os veículos que reciclam as informações produzidas por um núcleo cada vez menor de profissionais.
Embora continue a ser um bom jornal, com uma equipe excepcional, o Diário Popular piorou em muitos pontos após ser comprado pela Globo, em 2001, e se transformar em Diário de S. Paulo. A revista Já, que acompanhava o jornal, por exemplo, deixou de publicar suas próprias matérias e passou a reproduzir apenas material enviado pelo Globo. O leitor, que não é bobo como a gente pensa, percebeu isso e as vendas caíram.
As perspectivas do jornalismo para o Diário com a Traffic também não são as melhores. O modelo consagrado pelo Bom Dia é o que o "brasileiro iluminado" (segundo Milton Neves...) J. Havilla chama de "jornalismo da era da internet", que se traduz em matérias curtas e de apuração ligeira. Será que o leitor vai pagar para ler em papel e tinta o mesmo tipo de informação rasa que ele encontra de graça na Web? Sei lá. Como diria um antigo ícone do Diário Popular, "acabou, mano, acabou".
Por
Fausto Salvadori
Rabiscado às
22:37
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8 Metendo a boca:
Eu sou o único jornalista que tem ódio do sindicato dos jornalistas?
Não, João. A maioria ignora o sindicato. Os que conhecem um pouco sobre a atuação dele o desprezam. Os que conhecem mais o odeiam com todo o coração.
Mas é bom lembrar que nenhum sindicato pode ser melhor do que a categoria que representa.
O melhor é o comentário do Milton Neves:quanto mais estrume no pé mais cresce...
Que porcaria.
Talvez o Sindicato dos Jornalistas seja tão ruim porque nós também somos uma merda de categoria. Não temos nem colhões para sermos sindicalizados, nunca aparecemos em uma assembleia e depois queremos ser bem representados? Difícil...
Realmente vão ser todos demitidos. Só que readmitidos em seguida. Segundo dizem, a demissão servirá para zerar o passivo trabalhista da empresa. Assim, o novo dono assume sem ter de responder por eventuais queixas trabalhistas no futuro.
Como diz o post, Deh, essa é a promessa. Se for cumprida, beleza. Mas chama atenção a falta de transparência da Traffic, que até agora não assumiu compromisso público e formal com a recontratação.
Como uma empresa de comunicação, a Traffic deve esse esclarecimento não só para os trabalhadores do jornal, mas também para seus leitores e a sociedade em geral.
Quando o NYtimes programa demissões, anuncia no próprio jornal: http://www.nytimes.com/2009/10/20/business/media/20times.html. Gostamos tanto de imitar os americnaos. Por que não na transparência?
"a expansão dos monopólios de mídia"
Esse pessoal que chama imprensa de "mídia" segue tanto o padrão mental que ignora - ou finge ignorar, o que é pior - o signficado do prefixo 'mono'.
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