18 de novembro de 2009

Maracutaia nostálgica


Arte de Erich Baptista
"O cheiro inconfundível de maracutaia e grana alta empesteou ainda mais Brasília nos últimos meses. Anda rolando uma briga entre cachorros bem grandes e o prêmio é um osso suculento de US$ 1,4 bilhão, destinado a quem for escolhido para tocar um projeto para lá de ambicioso do governo federal chamado Sivam (apelido de Sistema de Vigilância da Amazônia). O Planalto quer montar uma extensa rede de radares e centros de controle aéreo para vigiar de perto, por terra e por ar, cada um dos 5,2 milhões de quilômetros quadrados da maior floresta do mundo e assim combater todo tipo de bagunça, inclusive desmatamentos, contrabando e tráfico de drogas.

A disputa pelo osso do Sivam atiçou dois rotweillers da indústria militar internacional: a francesa Thomson e a norte-americana Raytheon. Depois de uma longa briga de bastidores, o governo brasileiro anunciou em julho que pretende entregar o prêmio para o totó americano. O zé-povinho, ocupado demais com a Copa, ainda não tomou conhecimento de como rolaram as negociações, mas o que se comenta nos orifícios quentes do poder, entre as festinhas sadomasoquistas do Lago Sul e as farrinhas com as meninas da Jeany, é que a escolha foi recheada com todo tipo de baixaria, de ofertas de propinas de todo tipo e até a ação de espiões da CIA e da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos EUA. Leia o resto aqui
Abertura da matéria que fiz para o último número da Vice. Esta edição tem o tema 1994: cada texto foi escrito como se tivesse sido produzido há 15 anos, quando a revista foi criada, lá no Canadá. Para mim sobrou o tema Sivam. Eu preferia ter falado da combinação entre os pelos pubianos de Lilian Ramos e o topetão grisalho de Itamar Franco, mas já tinham entregado esse tema para o Arnaldo Branco e o Leonardo, que, claro, fizeram algo muito melhor do que eu faria. Mas, lendo um pouco sobre os bastidores do sistema de abelhudagem na Amazônia, descobri que aquela história tinha tanta sacanagem quanto o caso da sósia da Fafá de Belém sem calcinha.

O título da matéria é Orgia na Floresta. O meu chefe, André Maleronka, disse que queria ter colocado Suruba na Floresta, mas assim não cabia. Surubas ocupam muito espaço.

7 Meteram a boca:

Ieda Dias disse...

Santantonho!!! Este novelo será que não tem fim?? Tô exausta.
eidia
http://www.oquevivipelomundo.blogspot.com

Anônimo disse...

Olha fausto a devastaçao da amazonia deve mesmo ser controlada, ainda que a custos muito altos, se vc for ate a europa, vera que os armarios de cozinha sao de madeira mesmo e nao de compensados como acontece no Brasil, os moveis dos quartos, comodas , mesas de sala, guarda roupas, tudo isso e feito de madeira maçiça, ai entao voce se pergunta, mas como pode ser , eles se quer tem madeira e muito menos floresta, ali praticamente a tundra, uma vegetaçao rasteira e considerada como floresta. Claro, a resposta e bem facil, esta na nossa frente, as madeiras que o mundo usam vem diretamente da nossa devastada amazonia, e nao vimos dinheiro de impostos e muito menos dessa maneira transportada criminosamente e ilegalmente. Detalhes a maioria dos moveis ali tem realmente a cor da madeira maciça e nao tem pintura como os nosso moveis, porque os nossos sao de papeis e os dele sao maçiços. Com todo o gasto isso deve ser feito, claro que pelo menos dessa vez o lula escolheu os estados unidos, afinal de contas, somos todos americanos, porque darmos aos europeus essa oportunidade, eles sequer nos acham a altura deles. Ah Fausto, outra coisa estava pensando na questao do Cesar Batisti, agora que aquele ministrozinho o Gilmar mendes votou pela extradiçao dele, logo depois que acabou com o Diploma de Jornalismo, ele fez mais essa, . Olha se o cara e culpado ou nao, mas se a Italia nao quis devolver o banqueiro ladrao par acumprir 13 anos apenas, porque o Brasil tem que devolver o Batisti, digo isso, independente dele ser culpado ou nao e ainda para uma prisao perpetua, de um crime que realmente nao sabemos que ele cometeu.Porque nao fala sobre isso?

Carla Baronne disse...

O zé povinho se preocupa mais com a copa... sim, mas quando se liga na TV aberta o noticiario só passa isso... não da pra culpar só o povo não!

A imprensa ta vendida e rendida a anos!

E nem todo mundo pode colar aqui no boteco sujo :(

Anônimo disse...

hum.. que bom variar um pouco né Fausto?

Renata disse...

Eita, mas que revista é essa, nego? Nóis aqui da roça não cunhece não...

Anônimo disse...

Fausto,lí seu texto completo,e me surprendi com a quantidade de informações que viraram realidade!
"Os mísseis Patriots que choveram sobre o Iraque na Guerra do Golfo tinham a marca da Raytheon—e, se um dia os EUA resolverem voltar ao país para enforcar Saddam Hussein, pode estar certo de que as armas da empresa estarão orgulhosamente explodindo iraquianos ali outra vez."
Não tenho conhecimento se era previsto que os americanos queriam ir para o Iraque denovo(imagino que talvez,mas não difundido na grande midia,ainda mais BR),mas achei impressionante que voçê fala do fato muito antes do novo ataque acontecer.
"Como não há mais risco de ataque nuclear do bicho-papão comunista e aqueles árabes barbudos que ameaçam bombardear o american way of life são uns tipos que ninguém leva a sério, o jeito foi partir para a espionagem industrial..."
Denovo,voçê fala de um fato que achei ainda mais incrivel.Pode se dar o fato de eu estar espatado a minha idade(14 anos),mas realmente em documentarios antigos que vejo,todos dizem o mesmo que voçê,que ninguem dava muita credibilidade ao Osama.

Fausto Salvadori disse...

Renata,
a Vice é uma revista muito louca e bacana: http://en.wikipedia.org/wiki/Vice_%28magazine%29. É distribuída de graça em alguns pontos de Sampa: http://www.viceland.com/br/distribution.php. O conteúdo está todo na internet: http://www.viceland.com/br/.

Anônimo, confesso que o assunto Batisti não me empolgou a ponto de eu ler mais do que meia dúzia de notícias sobre o assunto. Não vou perder o sono se ele voltar para responder por suas acusações diante da Justiça italiana. Lembrar do Cacciola me parece forçar a barra da argumentação.